O assédio moral nem sempre se manifesta através de gritos ou insultos óbvios. Na maioria das vezes, ele é sutil, camuflado de “cobrança profissional” ou “brincadeira”. Essa sutileza é o que torna o comportamento tão perigoso: a vítima começa a duvidar da própria percepção e se sente culpada pelo estresse que está sofrendo.
Abaixo, listamos 7 frases que parecem inofensivas ou “do jogo corporativo”, mas que, quando repetitivas, são sinais claros de violência psicológica.
1. “Você é muito sensível, foi apenas uma brincadeira.”
-
O que esconde: É a frase clássica do gaslighting. O agressor desqualifica o sentimento da vítima para se eximir da responsabilidade por uma ofensa ou humilhação pública. Se a “brincadeira” só faz um lado rir, ela é assédio.
2. “Fulano faria isso em metade do tempo. O que está acontecendo com você?”
-
O que esconde: A comparação depreciativa. O objetivo não é motivar, mas diminuir a autoestima do colaborador e gerar uma insegurança constante sobre sua competência técnica.
3. “Agradeça por ter um emprego, o mercado está difícil lá fora.”
-
O que esconde: Terrorismo psicológico e ameaça velada. O gestor usa o medo do desemprego como ferramenta de controle para que o colaborador aceite abusos, sobrecarga ou falta de ética sem reclamar.
4. “Isso é tão fácil que até uma criança faria. Por que você errou?”
-
O que esconde: Infantilização e desqualificação profissional. Ao reduzir a complexidade de uma tarefa, o agressor faz o erro parecer sinal de incapacidade intelectual, minando a confiança do colaborador para futuras entregas.
5. “Não te avisei da reunião porque achei que você estivesse muito ocupado com coisas menores.”
-
O que esconde: Isolamento e esvaziamento de função. Excluir o colaborador de fluxos de informação essenciais é uma tática para torná-lo irrelevante e isolá-lo do resto da equipe.
6. “Se você não aguenta a pressão, talvez esta vaga não seja para você.”
-
O que esconde: Transferência de culpa. O gestor normaliza um ambiente tóxico e sobrecarregado, rotulando o esgotamento do colaborador como uma “fraqueza pessoal” ou falta de “perfil”, em vez de admitir a falha na gestão.
7. “Eu não preciso te dizer o que fazer, você já deveria saber.”
-
O que esconde: Omissão de instruções para induzir ao erro. Ao negar orientação clara, o assediador coloca o colaborador em uma armadilha: ele terá que adivinhar a tarefa e, quando errar, será punido pela falha.
O Que Fazer ao Ouvir Essas Frases com Frequência?
Se essas frases fazem parte da sua rotina na “firma”, é hora de acender o sinal de alerta:
-
Anote: Mantenha um diário de bordo com frases, datas, contextos e possíveis testemunhas.
-
Formalize: Sempre que possível, responda por e-mail: “Conforme nossa conversa, você mencionou que eu não tenho perfil para a vaga por não suportar a carga horária de X horas… gostaria de alinhar as expectativas”. Isso cria rastro.
-
Avalie a Cultura: Se essas frases vêm da diretoria ou do RH, a toxicidade é estrutural. Proteja sua saúde mental e considere buscar ajuda jurídica ou psicológica.
Reconhecer o assédio nas entrelinhas é o primeiro passo para não permitir que ele destrua a sua autonomia emocional.
Sobre o Saúde Mental na Firma: Acreditamos que trabalho saudável é trabalho sustentável. Explore nossos conteúdos sobre saúde mental no ambiente corporativo, prevenção do burnout e estratégias de bem-estar profissional.
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Se você está enfrentando solidão severa ou sintomas significativos de ansiedade e depressão, busque apoio de profissionais de saúde mental qualificados.
